Terça, 30 de Junho de 2026
14°C 26°C
Brasília, DF

Ótica Diniz no Piauí é acusada de fraudes fiscais e uso de “laranjas”; processo pode custar milhões à rede

Empresa responde a ação trabalhista de R$ 2 milhões com denúncias de desvio de função, coação, criação de CNPJs fictícios e blindagem patrimonial

Manchete Nacional
Por: Manchete Nacional Fonte: Manchete Nacional
17/07/2025 às 10h01 Atualizada em 17/07/2025 às 16h44
Ótica Diniz no Piauí é acusada de fraudes fiscais e uso de “laranjas”; processo pode custar milhões à rede


A rede Óticas Diniz, comandada no Piauí pela empresária Alexsandra Vieira Diniz, está no centro de uma ação trabalhista explosiva correndo no Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região e que pode custar mais de R$ 2 milhões à empresa, mas que é bem pior que só o valor.

 

A ação, movida por Francisco Raul Sousa de Vasconcelos Júnior — ex-diretor administrativo da rede no estado —, traz acusações que extrapolam o campo trabalhista e podem alcançar esferas cível e criminal.

 

Crime trabalhista

Segundo a petição inicial, à qual o Portal Manchete teve acesso, o ex-funcionário afirma ter sido vítima de um sistema interno de fraudes contábeis, manipulação societária e desvio de função, envolvendo diretamente a gestora da marca no estado. Raul alega que trabalhou por mais de seis anos na empresa, chegou ao cargo de confiança máximo na administração local, mas era coagido a utilizar seu nome, cartões, contas bancárias e até cheques pessoais para pagar despesas da empresa e da própria empresária — de escola dos filhos à compra de roupas de grife.

 

Denuncia de crime fiscal

A denúncia vai além. Raul afirma que a rede criou mais de uma dezena de CNPJs distintos, com a mesma atividade econômica e gestão unificada, para se manter no regime do Simples Nacional e evitar execuções fiscais. Entre os supostos “laranjas” utilizados para encobrir a real gestão estão uma babá, um jardineiro e até o próprio autor da ação — inserido à revelia como sócio formal da empresa DNZ Gestão Empresarial Ltda., segundo consta no processo.

 

“Fui obrigado a entregar meu certificado digital e acabei sendo incluído como sócio da DNZ sem meu consentimento. Só descobri após sair da empresa e constatar que haviam usado meu nome para firmar contratos e movimentar contas”, diz trecho da peça inicial, onde afirma que o homem hoje está com o nome negativado e enfrenta dívidas oriundas dessas operações.

 

A teia das relações

As empresas citadas compartilham endereços, telefones, contadores e identidade visual, o que, para a defesa do trabalhador, configura um grupo econômico informal, mas plenamente operante. São 18 pessoas e empresas incluídas no polo passivo da ação, todas ligadas de alguma forma ao núcleo comandado por Alexsandra Vieira Diniz, sobrinha do empresário Arione Diniz, fundador da marca nacional Óticas Diniz.

 

Muito pior

O valor da causa é de R$ 2.014.922,98, mas especialistas avaliam que, se confirmadas as acusações de fraude fiscal e uso indevido de nome, CPF e conta bancária de funcionários, o caso pode ensejar responsabilizações também na esfera penal — inclusive por crimes contra o sistema financeiro e falsidade ideológica.

 

Outro Lado

A Ótica Diniz no Piauí divulgou nota oficial rebatendo a versão do processo que a acusava de fraudes fiscais e uso de “laranjas”. Segundo a rede e a empresária Alexsandra Vieira Diniz, as denúncias são “inverídicas e infundadas” e têm origem em uma disputa com o ex-diretor administrativo e financeiro, Francisco Raul Sousa de Vasconcelos Júnior, apontado como responsável por desviar recursos da empresa para fins pessoais. A defesa afirma que o ex-gestor teria “orquestrado manobras” para inviabilizar financeiramente as franquias e abrir seu próprio negócio.

 

De acordo com a nota, um relatório preliminar de auditoria identificou, entre 2021 e 2024, operações como venda de ativos com depósitos em conta pessoal, transferências via PIX sem comprovação fiscal, pagamentos de dívidas particulares com dinheiro da empresa, compras de materiais de construção e despesas em cartões de crédito vinculadas ao ex-diretor. A rede afirma que busca na Justiça o ressarcimento dos prejuízos e reafirma seu compromisso com a ética e a transparência, destacando que as acusações serão contestadas judicialmente.

 

A reportagem também buscou a assessoria jurídica de Francisco Raul Sousa de Vasconcelos Júnior, mas eles disseram que não irão se pronunciar neste momento.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias