
Thiago pode não saber, mas tem tudo para levar uma das cadeiras
O jogo político no Piauí acaba de ganhar um personagem que promete virar protagonista. Empresário do agronegócio, presidente estadual do PL e aliado de confiança de Jair Bolsonaro, Tiago Junqueira foi anunciado pelo próprio ex-presidente como pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026. Ao lado de Ciro Nogueira, que disputará a reeleição, Junqueira entra em campo como peça-chave da estratégia bolsonarista para garantir uma maioria conservadora no Senado e avançar com reformas estruturais no Judiciário.
“Quero anunciar com muita satisfação que ele é o nosso pré-candidato ao Senado pelo PL”, afirmou Bolsonaro durante encontro em Brasília, na última terça-feira (15). Ao lado dele e de Ciro Nogueira, Junqueira respondeu com a frase que já virou lema: “Missão aceita”.
A presença do agro no centro da política não é novidade, mas a entrada de Junqueira no tabuleiro é um movimento calculado. Ele traz para a disputa um perfil alinhado ao conservadorismo, discurso firme e capital político em um setor estratégico para a economia do estado. Mais do que isso: assume a função de unir duas frentes da direita, uma é a base bolsonarista e outra é parte do eleitorado que orbita em torno de Ciro Nogueira. Se esses dois blocos convergirem, o caminho para a vitória se torna uma estrada asfaltada.
Não se trata apenas de uma candidatura, mas de um projeto nacional. Bolsonaro trabalha para formar uma bancada conservadora no Senado capaz de reagir à força da esquerda, que se reorganizou após a volta de Lula ao Planalto. As próximas eleições são vistas como a chance de conter avanços de pautas progressistas e, principalmente, aprovar mudanças profundas no Judiciário — tema central para a direita após anos de embates com o Supremo Tribunal Federal.
No Piauí, a fórmula é clara: Ciro Nogueira mais Tiago Junqueira. Duas candidaturas, duas chances para o eleitorado conservador manter hegemonia no Senado. A lógica é simples: se os bolsonaristas fecharem com Tiago e, de quebra, parte dos votos de Ciro migrar como segundo voto, o empresário pode sair das urnas com uma das vagas na mão.
Dono da Fazenda Chapada Grande, no município de Regeneração no Piauí, Junqueira carrega no currículo a experiência empresarial e o discurso de renovação política. Em sua primeira fala como pré-candidato, deixou claro qual será o tom da campanha:
“Acredito que o Piauí pode mudar. Temos riquezas, temos um povo trabalhador e precisamos de gestão com responsabilidade e visão de futuro. Estou pronto para representar essa esperança no Senado”, afirmou.
Recentemente, Junqueira também assumiu a presidência estadual do PL, reforçando seu papel como articulador da direita no Piauí. Em sua posse, destacou os valores que orientam sua trajetória:
“Vamos juntos com Deus, Pátria, Família e Liberdade”, declarou, sob aplausos de Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
Se confirmada a polarização entre Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) disputando votos da base governista e brigando entre si, Junqueira tende a ser a opção natural para quem não aceita a volta da esquerda ao controle total do Senado. Some-se a isso a força do agro, a máquina do PL e o carimbo de Bolsonaro, e o resultado é um nome competitivo, com chances reais de surpreender.
O fato é que se os votos bolsonaristas ficarem unidos e parte do eleitorado de Ciro optar por Junqueira como segundo voto, a eleição pode ser menos imprevisível do que parece.