
Enquanto Jair Bolsonaro experimenta o desconforto da tornozeleira eletrônica imposta pelo Supremo Tribunal Federal, Luiz Inácio Lula da Silva resolveu dar um passo adiante no xadrez político: anunciou que pretende disputar a Presidência da República novamente em 2026. Aos 80 anos no próximo pleito, Lula disse estar “com saúde e disposição” para impedir que o Brasil volte às mãos de quem, segundo ele, quase “destruiu o país”.
O recado veio durante visita a um trecho da ferrovia Transnordestina, no Ceará – um evento oficial que ganhou tom de palanque. A obra, que promete ligar o Piauí, o Centro-Sul do Ceará e áreas de Pernambuco ao escoamento de grãos como soja, milho e calcário, virou pano de fundo para a declaração bombástica do petista. “Não permitiremos que um bando de maluco volte a governar”, afirmou Lula, mirando indiretamente o ex-presidente Bolsonaro, agora limitado por medidas cautelares e fora das redes sociais.
O anúncio do petista ocorre em meio ao terremoto político provocado pela operação da Polícia Federal que atingiu o núcleo bolsonarista nesta semana. Apesar da orientação do Planalto para não comentar publicamente as ações contra Bolsonaro, Lula optou por marcar posição, reforçando sua narrativa de estabilidade e “retomada do Brasil”.
Bolsonaro, que sempre foi a principal âncora eleitoral da direita, hoje é o retrato da vulnerabilidade: tornozeleira, passaporte apreendido e restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes. Lula parece ter sentido o cheiro de oportunidade. Sem concorrência clara à vista, decidiu testar a temperatura do eleitorado e, de quebra, manter o debate girando em torno de si.
O petista, porém, carrega seus próprios fantasmas. Caso confirme a candidatura, Lula será o primeiro presidente brasileiro a tentar um quarto mandato – e, como lembrou ironicamente um analista ouvido pela reportagem, “quem vive de revanche eleitoral também corre o risco de morrer dela”.
Próximos capítulos? A corrida já começou – com um candidato mancando e outro jogando com a idade como trunfo. No fundo, a pergunta que fica é: quem chega respirando em 2026?