
MARCELLO CASAL; ANTONIO CRUZ/ AGÊNCIA BRASIL
O embate entre Washington e Brasília ganhou contornos de novela internacional nesta sexta-feira (18). O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a revogação imediata do visto americano do ministro Alexandre de Moraes e de seus “aliados no tribunal”, sem deixar claro quem mais integra a lista negra. A decisão, segundo Rubio, atinge também familiares próximos.
“O presidente Trump deixou claro que seu governo responsabilizará estrangeiros responsáveis pela censura de expressão protegida nos Estados Unidos. A caça às bruxas política do Ministro Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão abrangente que não apenas viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil, atingindo os americanos”, escreveu Rubio no X (antigo Twitter).
A bomba diplomática explodiu poucas horas depois de Moraes determinar que Jair Bolsonaro use tornozeleira eletrônica, cumpra recolhimento noturno e fique longe de redes sociais, diplomatas e até embaixadas. A justificativa? Segundo a PGR, havia “concreta possibilidade de fuga” e risco de obstrução à Justiça por parte do ex-presidente.
Bolsonaro classificou a medida como “suprema humilhação”. Já seu filho, Eduardo Bolsonaro, agradeceu publicamente ao governo Trump:
“Eu não posso ver meu pai e agora tem autoridade brasileira que não poderá ver seus familiares nos EUA também — ou quem sabe até perderão seus vistos”, provocou.
A ofensiva americana reacende a pressão para que a Lei Magnitsky seja aplicada contra Moraes. Criado no governo Obama, o mecanismo prevê congelamento de ativos e bloqueio total do acesso ao sistema financeiro dos EUA para estrangeiros acusados de violar direitos humanos. Rubio já ameaça, mas ainda não acionou a medida.
Por enquanto, a retaliação diplomática parece uma resposta direta à escalada das decisões do STF contra Bolsonaro, aliado histórico de Trump.