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Mais vaidade que vocação: o retorno da velha comunicação palaciana

Nolêto mostrou incapacidade e só quem entende de comunicação pode resolver

André Nogueira
Por: André Nogueira Fonte: Manchete Nacional
29/07/2025 às 16h08 Atualizada em 29/07/2025 às 16h17
Mais vaidade que vocação: o retorno da velha comunicação palaciana


Mussoline sabia lidar com o jornalismo, Noletto não 

Na sede da Coordenadoria de Comunicação Social do Governo do Piauí, os holofotes já não se voltam mais para o governo, mas para quem deveria apenas comunicá-lo. Desde que assumiu a CCOM, Marcelo Nolleto parece empenhado em um projeto pessoal que vai muito além da assessoria: quer ser mais que o governador. E, em muitos dias, consegue. Pelo menos em visibilidade.

 

Seja em eventos oficiais, entrevistas coletivas ou transmissões nas redes sociais, não é raro ver o coordenador de Comunicação ocupando o centro do palco. Literalmente. Fala mais que o governador, aparece mais que o governador e, nas internas, manda mais que muita gente com cargo de secretário.

 

A figura de Nolleto cresceu tanto na comunicação institucional que virou um personagem à parte no governo de Rafael Fonteles. Enquanto o governador insiste em se apresentar como símbolo de modernidade e gestão técnica, sua comunicação pública foi entregue a alguém que atua com os dois pés no marketing político mais tradicional e aquele da bajulação paga, do silêncio imposto e da publicidade embalada em contratos suspeitos. Nolleto é o jeito de fazer as coisas aos moldes de Wellington Dias, é um retrocesso.

 

No caminho inverso, ficou para trás Mussoline Guedes. Um técnico. Um gestor. Um jornalista que nunca tentou ser protagonista. Com currículo discreto e robusto, Mussoline havia assumido a CCOM no início de 2023 com um plano simples e ousado: profissionalizar a comunicação pública. E, por um breve período, funcionou.

 

Sob sua gestão, o Governo do Piauí foi pioneiro no uso de inteligência artificial na comunicação institucional. Mussoline levou o tema para o Fórum Nacional de Secretarias de Comunicação em Belém e articulou a inclusão da IA no currículo das escolas públicas. Não fazia lives semanais para se autopromover, mas entregava inovação com planejamento. Não convocava coletiva para si, mas fazia o governo comunicar com clareza.

 

Mas a discrição, essa virtude incômoda em tempos de vaidade, talvez tenha sido sua sentença. Em fevereiro de 2025, sem muito alarde, foi substituído por Nolleto. E com ele, voltaram os velhos vícios.

 

A CCOM passou a funcionar como uma produtora de autopropaganda institucional. Influenciadores do circuito palaciano foram alçados a comentaristas oficiais, contratos de publicidade pipocaram por inexigibilidade com justificativas frágeis, e o próprio coordenador virou estrela das transmissões, em uma espécie de “governador paralelo da comunicação”.

 

Em uma dessas situações bizarras que só a máquina pública é capaz de gerar, uma fonte do próprio Karnak revelou que um empenho de R$ 100 mil, assinado pela CCOM, foi fundamentado em uma lei já revogada — a 8.666/93. Um erro jurídico primário. Mas que passou. E segue passando.

 

Enquanto isso, Mussoline segue no bastidor, longe dos holofotes, mas presente nas conversas de quem sente falta de uma comunicação mais técnica, eficiente e, principalmente, institucional. Porque a comunicação pública não pode ser palanque. Muito menos camarim.

 

Hoje, há mais Marcelo que governo nas redes do Palácio. Mais vaidade que vocação. Mais selfie que serviço. A CCOM virou palco de um projeto pessoal e o governador, muitas vezes, parece um coadjuvante do próprio governo.

 

Talvez Rafael Fonteles, tão adepto da inovação, precise rever quem realmente está entregando modernidade e quem está apenas usando o cargo como vitrine pessoal. Porque, se a ideia é comunicar bem, com técnica, sem escândalo e sem estrelismo, já há uma solução conhecida, testada antes.

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