
O Nordeste sempre foi visto como um reduto seguro do PT e de Lula. Durante muitos anos, o presidente contou com a região para garantir vitórias eleitorais confortáveis. Mas esse cenário começa a mudar, e os números mais recentes acendem um sinal de alerta no Palácio do Planalto.
Pesquisas divulgadas no início de 2026 mostram que a desaprovação do governo Lula cresce em todo o país e já passa da metade dos brasileiros. No Nordeste, mesmo com Lula ainda liderando, o dado que chama atenção é o aumento rápido da rejeição, que já chega perto de 46% em alguns levantamentos regionais. Para uma região onde o PT sempre teve vantagem larga, esse número pesa e não pode ser ignorado.
O desgaste tem explicação simples. O eleitor nordestino esperava melhora no bolso e mais tranquilidade no dia a dia. O que tem visto é o preço dos alimentos subir, o dinheiro faltar antes do fim do mês e a sensação de insegurança aumentar. Quando a vida aperta, o apoio político começa a enfraquecer.
Nesse ambiente de insatisfação, o nome de Flávio Bolsonaro começa a ganhar espaço no Nordeste. Ele cresce principalmente por carregar o sobrenome Bolsonaro, que ainda tem força entre eleitores conservadores, produtores rurais e pessoas que rejeitam o PT. Com Jair Bolsonaro fora da disputa, Flávio aparece como a principal opção da direita para enfrentar Lula.
Os números confirmam esse movimento. Em simulações de primeiro turno para 2026, Flávio Bolsonaro já aparece com algo entre 11% e 13% das intenções de voto no Nordeste. Para a oposição, é um desempenho alto em uma região onde tradicionalmente sempre teve dificuldades.
Parte desse crescimento vem do eleitor que se decepcionou com o governo atual e procura uma alternativa clara. Para esse público, Flávio surge como o nome mais visível do campo contrário ao PT, captando votos de quem não vê melhora na economia.
Ainda assim, o caminho não é simples. Flávio Bolsonaro enfrenta uma rejeição alta em alguns estados e precisará conversar mais com o eleitor de centro se quiser avançar. Além disso, alianças com lideranças locais serão fundamentais para consolidar esse crescimento e ampliar sua presença na região.
Tudo, no entanto, depende do fator principal: a economia. Se o governo Lula não conseguir melhorar de forma concreta o poder de compra da população até o fim de 2025, a comparação com o período Bolsonaro tende a ganhar força, especialmente nas grandes cidades do Nordeste.
O fato é que o Nordeste já não é mais um território tão previsível. O domínio do PT começa a ser questionado, e a direita vê surgir uma oportunidade real. Flávio Bolsonaro cresce, enquanto Lula enfrenta um cenário cada vez mais desafiador na região que sempre foi seu maior apoio.