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Controle térmico reduz em até 90% descartes de medicamentos

Uma das tecnologias de monitoramento em conformidade com os padrões internacionais é o WarmMark QR, desenvolvido pela norte-americana SpotSee e dis...

Manchete Nacional
Por: Manchete Nacional Fonte: Agência Dino
19/05/2026 às 16h37
Controle térmico reduz em até 90% descartes de medicamentos
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 50% das vacinas perdem a eficácia antes de chegar ao paciente final por falhas no controle de temperatura durante o transporte e armazenagem. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece normas rigorosas para a logística de medicamentos e insumos hospitalares termossensíveis, pois cada grau fora da faixa recomendada representa risco para a saúde pública. Para garantir a integridade desses produtos, o setor hospitalar tem adotado sensores de monitoramento de temperatura, que podem reduzir até 90% dos descartes de medicamentos na chamada "Cadeia do Frio".

Na área de saúde, essa cadeia é indispensável para vacinas, que devem ser armazenadas entre 2°C e 8°C, hemoderivados e sangue, mantidos entre 1°C e 6°C, além de insulinas, medicamentos biológicos e amostras laboratoriais. Qualquer desvio térmico, mesmo que imperceptível, pode comprometer a eficácia do produto, levando à inutilização de lotes inteiros, retrabalho em campanhas de vacinação, multas, autuações sanitárias e perda de credibilidade institucional, além do risco à vida dos pacientes. Por isso, a Anvisa exige evidências documentadas de rastreabilidade em cada etapa da cadeia.

A norma RDC 430/2020 estabelece as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e Transporte de Medicamentos e define obrigações como monitoramento contínuo de temperatura e umidade, sistema de alarme com notificação automática em caso de desvios, calibração periódica de sensores com certificados rastreáveis, relatórios auditáveis, planos de contingência documentados, capacitação de equipes e validação térmica de equipamentos e rotas. Complementam esse arcabouço a RDC 504/2021, que regula a cadeia do frio em bancos de sangue, e a RDC 275/2002, voltada ao transporte de medicamentos.

Uma das tecnologias de monitoramento em conformidade com os padrões internacionais é o WarmMark QR, desenvolvido pela norte-americana SpotSee. Trata-se de um sensor descartável, que registra as temperaturas às quais o item foi submetido ao longo de toda a cadeia logística. Quando a carga chega ao destino, o receptor escaneia um QR Code com seu smartphone e acessa todas as informações de condição, data, hora, localização e evidência fotográfica do estado do produto em cada etapa do transporte e armazenagem. Esses dados também são transmitidos automaticamente para a plataforma em nuvem da SpotSee, onde gestores podem monitorar ocorrências em tempo real e acionar protocolos de correção, se necessário. Além disso, caso o produto tenha sido exposto a temperaturas fora do recomendado, o sensor na embalagem muda de cor.

"No ambiente hospitalar, o uso de sensores com certificação internacional passou a ser requisito de conformidade. Esse conjunto de dados constitui prova objetiva e auditável de que o produto foi — ou não — mantido dentro da faixa térmica exigida ao longo de toda a cadeia, do ponto de origem até a entrega ao paciente", explica Afonso Moreira, CEO da AHM Solution, empresa especializada em gestão de integridade de cargas na logística e que distribui o WarmMark no Brasil.

Em caso de excursão térmica (armazenamento ou transporte fora da temperatura recomendada), a plataforma SpotSee permite identificar exatamente em qual etapa da cadeia ocorreu o desvio — se no armazenamento, no transporte ou na última milha —, viabilizando ações corretivas precisas e eliminando o descarte preventivo de lotes inteiros por ausência de informação.

"Para hospitais, farmácias hospitalares, distribuidoras e operadoras de planos de saúde, essa capacidade de evidenciar excursões de forma objetiva representa redução de custos operacionais, mitigação de risco sanitário e fortalecimento da governança clínica", completa Moreira.

Segundo ele, esse controle rigoroso só é possível com soluções que possuam certificação internacional reconhecida. "Alertamos o mercado para o risco de adotar sistemas de monitoramento sem essa garantia, pois a consequência pode ser irreversível", salienta.

Queda nos descartes

Os resultados obtidos por uma farmácia com entrega direta ao paciente na Flórida, nos Estados Unidos, ilustram o potencial da tecnologia em operações de saúde. Antes da adoção do WarmMark QR, a unidade registrava, em média, 15 devoluções e substituições de medicamentos por semana, decorrentes de excursões térmicas não rastreadas. Com o sensor em operação, o total de devoluções caiu para 15 ocorrências em um trimestre inteiro — redução de 92% no período.

Com base no custo médio de US$ 250 por devolução, a farmácia passou a economizar US$ 45.000 por trimestre, ou US$ 180.000 por ano. Além da redução financeira, a unidade passou a utilizar os registros gerados pelo sensor para validar estudos de remessa exigidos pelo órgão regulador estadual, eliminando o uso de controles manuais e agilizando auditorias de conformidade.

Sobre a AHM Solution

A AHM Solution é uma empresa de tecnologia e consultoria para a otimização da logística e preservação de ativos críticos. Com mais de duas décadas de expertise, a companhia especializou-se em soluções de monitoramento e proteção de carga, oferecendo tecnologias de ponta para a detecção de impactos, vibrações, inclinações e variações de temperatura. Auxilia grandes indústrias e operadores logísticos a reduzir custos com avarias, aumentar a eficiência operacional e garantir que equipamentos de alto valor cheguem intactos ao destino final.

Mais informações: https://www.ahmsolution.com.br/

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