
A Secretaria de Cultura do Estado do Piauí (Secult-PI), comandada por Rodrigo Amorim, é alvo de pelo menos três investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI). As apurações envolvem suspeitas de direcionamento em chamamento público da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), possível favorecimento de entidades e irregularidades em um convênio que resultou em condenação pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI).
A primeira investigação envolve o Chamamento Público nº 01/2025 da Secult-PI para gestão de recursos da Política Nacional Aldir Blanc. Em ofício enviado ao secretário Rodrigo Amorim, o procurador da República Alexandre Assunção e Silva solicitou esclarecimentos sobre a classificação em primeiro lugar do Instituto Trocando Ideia, sediado no Rio Grande do Sul.

Segundo documento do MPF, a entidade apresentaria “grave conjunto de ilegalidades e impedimentos formais” que poderiam justificar sua desclassificação. O instituto atuava na execução da PNAB no Tocantins e estava suspenso havia 21 meses por recomendações do próprio MPF, em razão de indícios de irregularidades na gestão de recursos federais da cultura.
Representação apresentada pelo Instituto Social e Cultural Mandu Ladino sustenta que a Secult-PI incluiu no edital referência a uma experiência supostamente bem-sucedida no Tocantins, embora o modelo estivesse suspenso pelo MPF desde fevereiro de 2024.
O documento aponta possível direcionamento do certame. O Instituto Trocando Ideia recebeu 98 pontos, enquanto o segundo colocado obteve 51. Também questiona exigências técnicas que, segundo a denúncia, somente a entidade vencedora poderia atender.
A representação cita ainda suspeitas envolvendo articulações junto ao Ministério da Cultura e questiona a estrutura administrativa da organização, que não possuiria empregados registrados.
Em uma segunda frente, o MPF apura a participação da Associação Esportiva Bonões em seleção da PNAB. A entidade poderia receber até R$ 100 mil como suplente do programa.

A denúncia aponta que o imóvel utilizado como sede estaria funcionando sob outra denominação, chamada “Arena Capshop”, sem comprovação de atividades efetivas da associação no local. O MPF investiga se a entidade seria utilizada apenas para captação de recursos públicos.
A terceira investigação é conduzida pelo Ministério Público do Estado do Piauí. O caso envolve o Convênio nº 046/2016, firmado entre a Secult-PI e a Fundação Valdir de Sousa Leite.
A apuração teve origem em decisão do TCE-PI, que identificou irregularidades na execução e na prestação de contas do convênio, imputando débito solidário de R$ 245.496,46 e aplicando sanções administrativas.

O MPPI solicitou informações sobre os responsáveis pela fiscalização do convênio, a existência de relatórios de acompanhamento e as providências adotadas pela secretaria após a decisão do tribunal. Os dados servirão para avaliar eventual ajuizamento de ação civil pública.
O espaço permanece aberto para manifestação da Secretaria de Cultura do Estado do Piauí comentar as três investigações.