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De fachada: Irmão de Marcelo Noleto fatura R$ 332 mil com letreiro em hospital que ainda não tem portas, janelas e piso

Fotos da própria empresa contratada mostram obra inacabada: sem portas, sem calçada e sem rampas de acesso, mas com painéis luminosos já instalados e pagos

Manchete Nacional
Por: Manchete Nacional Fonte: Manchete Nacional
12/06/2026 às 19h55
De fachada: Irmão de Marcelo Noleto fatura R$ 332 mil com letreiro em hospital que ainda não tem portas, janelas e piso

 

 

 

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) pagou R$ 332.698,61 à empresa Mega Comunicação Ltda. para a instalação de painéis e letreiros luminosos na fachada da Central de Diagnóstico de Oeiras antes mesmo da conclusão da estrutura básica do prédio. As informações constam na Nota Fiscal nº 421, emitida em 10 de junho de 2026, e no pedido de pagamento encaminhado ao secretário estadual de Saúde, Dirceu Hamilton Cordeiro Campelo.

 

 

As próprias fotografias apresentadas pela empresa como comprovação da execução do serviço revelam que a unidade ainda não possui portas instaladas, calçamento na área externa nem estruturas visíveis de acessibilidade.

 

O que mostram as imagens

Os registros fotográficos enviados pela Mega Comunicação mostram um prédio cercado por terra batida, com entulho espalhado e sem pavimentação no entorno. As aberturas da fachada aparecem sem portas, enquanto os painéis luminosos com a identidade visual do Governo do Estado, incluindo as marcas do SUS e da gestão estadual, já foram instalados.

 

As imagens indicam que os elementos de comunicação visual foram concluídos antes de etapas consideradas essenciais para a entrega da obra.

 

Questionamentos sobre prioridades

Em obras públicas, a conclusão da estrutura física costuma anteceder a instalação de elementos de acabamento e comunicação visual. Itens como portas, acessibilidade, pavimentação e demais componentes necessários ao funcionamento da unidade geralmente fazem parte das etapas fundamentais para a liberação do espaço.

No caso da Central de Diagnóstico de Oeiras, os registros apresentados pela própria contratada mostram que o letreiro luminoso foi instalado enquanto aspectos básicos da construção ainda permanecem inacabados.

 

Risco ao patrimônio público

A instalação de equipamentos eletrônicos em um imóvel ainda sem vedação completa e sem controle definitivo de acesso pode aumentar a exposição a danos causados por poeira, chuva, vandalismo ou furtos.

Caso ocorram avarias antes da entrada em funcionamento da unidade, novos gastos poderão ser necessários para manutenção ou substituição dos equipamentos.

 

Aparência de conclusão

Para quem passa em frente ao prédio, os painéis luminosos podem transmitir a impressão de que a unidade já está pronta ou em funcionamento. Entretanto, as imagens registradas pela própria empresa demonstram que a estrutura ainda não foi concluída.

 

Estrutura ainda incompleta

Uma unidade voltada à realização de exames e diagnósticos exige condições adequadas de acessibilidade, higiene e segurança para iniciar suas atividades. Nas fotografias anexadas ao processo de pagamento, não são observadas rampas de acesso, calçadas concluídas ou portas instaladas na fachada principal.

 

Os números do contrato

O pagamento foi realizado com base no Contrato nº 37/2026, vinculado ao Empenho nº 2026NE06325 e à Ordem de Serviço nº 101/2026, dentro do Processo nº 00012.050230/2025-47.

A nota fiscal registra valor bruto de R$ 332.698,61. Após retenções de R$ 25.950,48, o valor líquido a ser pago à empresa é de R$ 306.748,13.

 

 

A Mega Comunicação Ltda., sediada em Teresina, mantém contratos com a Sesapi e já foi alvo de reportagens sobre contratos firmados com a pasta.

A Sesapi não havia se pronunciado sobre o caso até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

 

Ligação familiar e investigações

A Mega Comunicação Ltda. pertence ao empresário Alexandre Noleto, irmão do atual secretário de Comunicação do Estado do Piauí, Marcelo Noleto. A proximidade familiar entre o proprietário da empresa e um integrante do primeiro escalão do governo tem sido alvo de questionamentos por parte de setores da oposição e de órgãos de controle em razão dos contratos firmados com a administração estadual.

 

 

Além dos contratos com a Sesapi, a empresa também aparece em procedimentos investigatórios conduzidos pelo Ministério Público do Estado do Piauí. As apurações envolvem questionamentos sobre processos licitatórios e certames relacionados a contratos públicos vencidos pela empresa.

Entre os casos que chamaram atenção está uma licitação de aproximadamente R$ 100 milhões, que motivou representações e análises por parte dos órgãos de fiscalização. Os procedimentos buscam verificar a regularidade dos processos de contratação e o cumprimento das exigências legais previstas para as licitações públicas.

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