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Governo Fonteles tem 9 órgãos sem nenhum servidor concursado

Secretaria de Inteligência Artificial, Secretaria das Mulheres e SETRE operam só com nomeações políticas; folha de comissionados chega a R$ 6,3 milhões por mês

Manchete Nacional
Por: Manchete Nacional Fonte: Manchete Nacional
16/06/2026 às 10h53
Governo Fonteles tem 9 órgãos sem nenhum servidor concursado

 

 

Ao menos nove órgãos do governo Rafael Fonteles funcionam sem nenhum servidor concursado de carreira. Todo o quadro dessas estruturas é composto por nomeações políticas ou contratos temporários. Os dados constam da folha de servidores do Estado do Piauí referente a janeiro de 2026, extraída da API do Portal da Transparência estadual, e mostram que o governo mantém 1.054 cargos comissionados, com custo mensal de R$ 6,3 milhões e projeção anual de R$ 75,6 milhões.

A cifra representa 4,2% do quadro total de servidores estaduais, composto por 24.973 funcionários, e 5,3% da folha salarial global. O dado chama atenção pela concentração de cargos em órgãos que não possuem sequer um servidor efetivo de carreira em sua estrutura.


Os 9 órgãos sem concursados

Os casos mais expressivos são a EMGERPI (Empresa Gerenciadora de Empreendimentos Urbanos do Piauí), com 29 comissionados e nenhum efetivo; a Coordenadoria de Desenvolvimento dos Territórios, com nove comissionados; a Secretaria do Trabalho e Emprego (SETRE), com oito comissionados, 20 temporários e nenhum estatutário; e a Secretaria de Relações Sociais (SERES), também com oito comissionados e nenhum servidor de carreira.

Na mesma situação aparecem a Secretaria de Saneamento Básico, a Coordenadoria de Enfrentamento às Drogas e Fomento ao Lazer, a Coordenadoria da Juventude, a Secretaria das Mulheres e a Secretaria de Inteligência Artificial.

A pasta de Inteligência Artificial, criada durante a gestão Rafael Fonteles como uma das apostas de modernização administrativa, funciona com cinco cargos comissionados, além do secretário André Macedo Santana e quatro estagiários. Não há servidores concursados lotados no órgão. O secretário recebe remuneração mensal de R$ 34.774,64 e figura entre os maiores salários entre os ocupantes de cargos comissionados do Estado.

 

Comunicação sob predominância de indicados

A Secretaria de Comunicação possui 20 comissionados em um quadro de 34 servidores, representando 58,8% do total. A superintendência do órgão é ocupada por Adroaldo Araujo Reis, cuja remuneração mensal é de R$ 20.864,78.

Os números demonstram forte presença de cargos de livre nomeação em um setor responsável pela divulgação das ações governamentais e pela gestão da comunicação institucional do Estado.

 

Infraestrutura e Cidades

Dois órgãos ligados à execução de obras públicas também apresentam elevado percentual de comissionados. A Secretaria das Cidades possui oito comissionados entre nove servidores, enquanto a Secretaria de Infraestrutura conta com dez comissionados em um universo de 17 funcionários.

 

Os maiores salários

O maior salário entre os ocupantes de cargos comissionados é o de Daniele Amorim Aita, dirigente do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Piauí (IASPI), com remuneração bruta de R$ 46.366,18. Em seguida aparecem Anamelka Albuquerque Formiga, da Secretaria de Segurança Pública, com R$ 40.674,24, e Antonio Lima Bacelar Júnior, auditor governamental da Secretaria da Fazenda, com R$ 38.523,42.

Três secretários estaduais figuram entre os sete maiores vencimentos: André Macedo Santana (Inteligência Artificial), Daniel Carvalho Oliveira Valente (Turismo) e Antonio Luiz Soares Santos (Saúde), todos com remuneração de R$ 34.774,64.

O cargo mais numeroso é o de coordenador, com 324 nomeações e folha mensal de R$ 1,43 milhão. Em seguida aparecem professores em regime especial de 40 horas, com 164 vínculos e custo de R$ 1,12 milhão por mês, e gerentes, com 122 nomeações e folha próxima de R$ 900 mil mensais.

 

Limitações do levantamento

A análise considera exclusivamente a folha de janeiro de 2026, único mês com cobertura integral disponível na base consultada. Por isso, não é possível estabelecer comparação histórica com administrações anteriores nem apontar evolução ou redução do número de cargos comissionados ao longo dos últimos governos.

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