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Varejo nacional adota dados contra gigantes globais

Pressionadas por concorrentes internacionais de ciclo rápido, marcas brasileiras investem em arquitetura de decisão para estancar perdas antes da c...

Manchete Nacional
Por: Manchete Nacional Fonte: Agência Dino
14/08/2026 às 11h21
Varejo nacional adota dados contra gigantes globais
XCELiS/Pontual

O varejo de moda brasileiro enfrenta um cenário de margens comprimidas devido ao avanço de plataformas globais de baixo custo, volatilidade de consumo e custos de capital de giro. Diante desse panorama, análises setoriais indicam que a rentabilidade dos negócios passou a ser definida na cadeia de suprimentos, antes mesmo de os produtos chegarem ao caixa. Falhas no dimensionamento de coleções, erros na distribuição de grades de tamanhos e respostas tardias aos sinais de demanda respondem pelas principais perdas de receita no setor.

A agenda de produtividade migrou de temas tradicionais, como expansão física, negociação com fornecedores e eficiência logística tradicional, para focar na precisão das decisões que conectam estoque, canais e consumidor. A competição com players internacionais de alta velocidade e o forte apelo digital transformaram a gestão interna analítica em um elemento mandatório para a sustentabilidade financeira das empresas nacionais.

Custo operacional

O estoque inadequado gera impactos financeiros em duas frentes: perda de vendas por desabastecimento ou erosão de margem por remarcações excessivas para desovar excedentes. A escassez e o excesso costumam coexistir em uma mesma rede de lojas, distribuídos de forma assimétrica. Enquanto uma filial sofre com a ruptura de tamanhos de alta rotatividade, outra acumula o mesmo item sem demanda local.

De acordo com Jean Cara, Diretor de Projetos na XCELiS, o equilíbrio depende de um planejamento estruturado desde a concepção do ciclo. "A margem não é perdida apenas no desconto final. Ela começa a ser definida nas decisões de coleção, compra, alocação e reposição", explica o executivo. O diretor ressalta que a agilidade do processo não significa acelerar todas as etapas indistintamente, mas sim criar flexibilidade operacional. "Agilidade não é acelerar tudo. É saber o que decidir cedo, o que testar e o que manter flexível para reagir dentro da estação".

Os três vetores

Para viabilizar uma operação financeiramente eficiente, o planejamento de produtos deve basear-se na calibração rigorosa de sortimento, profundidade e alocação. No sortimento, cada categoria precisa de papéis claros, equilibrando itens básicos de alto giro, novidades e produtos de imagem, evitando que o excesso de variedade dilua a exposição de marca e fragmente as compras.

Na visão de Jean Cara, a profundidade exige regras distintas para produtos previsíveis e apostas de moda, preservando capital para reações ao longo da temporada. "Uma gestão eficiente de profundidade protege a empresa contra a volatilidade, permitindo manter capital disponível para investimentos em reabastecimentos pontuais, baseados no comportamento real do consumidor", afirma.

Completando o ciclo, a alocação nas lojas deve seguir a lógica de retorno financeiro por metro quadrado, visto que o espaço físico é um ativo limitado. A inteligência geográfica impede o acúmulo de capital parado e orienta o aprendizado pós-campanha. "O monitoramento revela onde ocorreram as rupturas e quais hipóteses se confirmaram, transformando o histórico operacional no principal insumo para mitigar riscos nos próximos lançamentos".

Arquitetura e o fator geográfico

A introdução de ferramentas de analytics e algoritmos de Inteligência Artificial ganha relevância quando aplicada ao refinamento de processos práticos, como compras calibradas, transferências interfiliais e remarcações oportunas. A tecnologia atua como suporte técnico para a tomada de decisão humana, retirando o trabalho repetitivo da rotina e direcionando os gestores para o tratamento de exceções operacionais.

"O valor da tecnologia não está no algoritmo em si, mas na decisão que ele melhora", pontua Jean. O executivo argumenta que a operação em um país continental como o Brasil adiciona complexidades climáticas e de renda que exigem a adaptação de conceitos globais à realidade local. "Benchmark não é copiar o que funciona fora. É traduzir princípios globais para a complexidade local", conclui.

Sobre a XCELiS Consulting

A XCELiS Consulting é uma empresa de consultoria voltada para a transformação digital operacional, com atuação em supply chain, arquitetura de dados e implementação de Inteligência Artificial em ambientes de produção corporativa.

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