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Indústria do sono ganha destaque em projetos de luxo

Especialistas apontam que a busca por sono de qualidade está remodelando setores como saúde, arquitetura, hotelaria e design de produtos. A tendênc...

Manchete Nacional
Por: Manchete Nacional Fonte: Agência Dino
17/08/2026 às 15h32
Indústria do sono ganha destaque em projetos de luxo
Divulgação Zissou

Dormir bem nunca foi tão difícil e, justamente por isso, nunca foi tão valorizado. Em uma rotina marcada pela hiperconectividade, pelo excesso de estímulos e pelo aumento dos índices de estresse e ansiedade, o sono passou a ocupar o centro das discussões sobre saúde, arquitetura, design e hospitalidade. O descanso deixou de ser apenas uma necessidade biológica para se transformar em um dos principais indicadores de qualidade de vida e, cada vez mais, em um novo símbolo do luxo contemporâneo.

Essa mudança de comportamento já influencia diferentes setores da economia. Da medicina à arquitetura, passando pela indústria do sono e pela hotelaria de alto padrão, cresce a preocupação em criar ambientes, produtos e experiências capazes de proporcionar noites mais restauradoras. O objetivo vai além do conforto: trata-se de promover saúde, equilíbrio físico e mental e bem-estar por meio de soluções que respeitem as necessidades do corpo.

Para o médico especialista em Medicina do Sono Dr. João Barnewitz, esse movimento acompanha uma maior conscientização sobre os impactos do descanso na saúde. A privação de sono interfere diretamente na memória, na concentração, no sistema imunológico, no metabolismo e na saúde emocional, tornando o sono um dos pilares da medicina preventiva e da longevidade.

"Dormir bem não torna alguém "Super-Humano". Dormir mal é que torna alguém biologicamente subótimo", afirma Dr. Barnewitz.

Essa preocupação também vem alterando a forma como os consumidores escolhem produtos e serviços voltados ao descanso. Segundo Ilan Vasserman, da Zissou, a procura por soluções que proporcionem uma experiência completa de sono, indo além do colchão e incorporando fatores como ergonomia, conforto, temperatura e qualidade do ambiente vem crescendo. Esse comportamento também explica o avanço de iniciativas na hotelaria que passaram a investir em quartos planejados para favorecer o descanso, oferecendo recursos específicos para melhorar a experiência do hóspede.

"Por meio de pesquisas e estudos junto aos clientes, identificamos três vilões do sono: calor, suporte e transferência de movimento. As pessoas nos pediam um colchão que não esquentasse na superfície, não transmitisse ondas de movimento do parceiro e que tivesse um mix adequado de suporte e conforto", explica Vasserman.  

A arquitetura acompanha essa transformação ao incorporar princípios voltados ao bem-estar dos usuários. Para o designer de produtos, Eduardo Trevisan, o quarto deixa de ser apenas um ambiente funcional e passa a ser concebido como um espaço de recuperação física e mental. Aspectos como iluminação, escolha de materiais, paleta de cores, texturas, organização do mobiliário e conforto acústico tornam-se determinantes para criar ambientes capazes de reduzir estímulos e favorecer o relaxamento.

"No quarto, o mobiliário precisa contribuir para desacelerar, não para criar mais estímulos. Como designer, penso muito em proporção, conforto, toque e presença. Uma poltrona para esse ambiente, por exemplo, não precisa chamar atenção, ela precisa fazer sentido, acolher e trazer uma sensação de calma", explica.

Segundo André Behne, da Marel Design Mobili, não existe um acabamento específico capaz de determinar a qualidade do sono, mas algumas escolhas podem favorecer uma atmosfera mais acolhedora. Dentre elas, tons naturais, terrosos, beges e madeiras de tonalidades mais suaves costumam transmitir sensação de calma e conforto, especialmente quando combinados com iluminação adequada.

Na opinião dele, o importante é evitar excessos visuais quando se fala sobre mobiliários sob medida, como guarda-roupas e armários. "O mobiliário tem papel fundamental nesse processo. Um ambiente organizado, com soluções que reduzem a poluição visual e materiais que transmitam acolhimento, contribui para criar uma atmosfera mais tranquila. Mais do que seguir uma fórmula, é preciso entender os hábitos e necessidades de cada pessoa", completa.

Além da parte de cama e mobiliários, um projeto bem planejado de um ambiente visa outros pontos importantes, tais como: conforto térmico, acústico e iluminação. De acordo com Patricia Cayres, Head de Marketing Latam da Hunter Douglas, observa uma mudança no perfil das demandas recebidas por arquitetos e especificadores. Soluções de controle solar, cortinas e persianas deixaram de ser escolhidas apenas pelo apelo estético e passaram a integrar projetos voltados ao conforto ambiental e ao bem-estar. O controle da luminosidade, por exemplo, contribui para respeitar o ciclo circadiano, enquanto sistemas de proteção solar ajudam a reduzir o ganho térmico dos ambientes e a criar condições mais favoráveis ao descanso.

"Na hotelaria de alto padrão, o escurecimento total do ambiente, deixou de ser exigência técnica e passou a integrar a experiência de descanso. Pra garantir breu absoluto, sistemas tensionam o tecido aos trilhos com um zíper isolando frestas", conclui.

Essa integração entre arquitetura, tecnologia e saúde também impulsiona a automação residencial. Sistemas inteligentes permitem programar a abertura gradual de cortinas e persianas, controlar a entrada de luz ao longo do dia e integrar iluminação, climatização e proteção solar em uma única rotina personalizada. O resultado são ambientes que trabalham de forma quase imperceptível para favorecer o conforto dos moradores.

Embora o chamado "turismo do sono" tenha contribuído para popularizar essa discussão ao mostrar como hotéis de alto padrão passaram a investir em experiências voltadas ao descanso, o movimento extrapola a hospitalidade. Hoje, a busca por uma noite de sono de qualidade influencia a forma de projetar residências, especificar produtos, desenvolver tecnologias e até mesmo planejar a rotina das pessoas.

Mais do que uma tendência de mercado, especialistas apontam que essa mudança representa uma nova compreensão sobre qualidade de vida. O luxo contemporâneo deixa de estar associado apenas ao que pode ser visto e passa a ser definido pela capacidade de oferecer conforto, saúde e bem-estar. Nesse contexto, dormir bem deixa de ser apenas consequência de um bom projeto e torna-se um dos seus principais objetivos.

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