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Engenheiro que atestou obra do Hospital da Mulher sem medições comprovadas, foi promovido por Silvio Mendes

Erick Mattheus Maranhão Silva fiscalizou contrato de R$ 57,6 milhões, alvo de decisão do TCE-PI que aponta superfaturamento de R$ 11,9 milhões

José Ribas Netto
Por: José Ribas Netto Fonte: Manchete Nacional
05/11/2026 às 12h14
Engenheiro que atestou obra do Hospital da Mulher sem medições comprovadas, foi promovido por Silvio Mendes

 

 

 

O engenheiro Erick Mattheus Maranhão Silva, fiscal do contrato do Hospital da Mulher, em Teresina, atestou a execução de serviços da obra sem que houvesse medições físicas anexadas ao processo da obra. Hoje, ele é gerente de Engenharia da Fundação Municipal de Saúde (FMS), cargo para o qual foi nomeado na gestão do prefeito Sílvio Mendes.

O atesto, assinado em 20 de dezembro de 2024, se refere à sétima medição da obra, no valor de R$ 5,99 milhões. No documento, o fiscal declara que os serviços foram entregues e executados a contento, dentro do prazo previsto. Porém, a pasta do processo não traz planilhas de medição, relatórios fotográficos ou outros comprovantes de avanço físico que sustentem a afirmação.

O contrato de R$ 57,6 milhões foi firmado em 2023, na gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa, com a Vanguarda Engenharia. A empresa de Jivago Castro havia recebido R$ 17,2 milhões até setembro de 2024. O contrato está encerrado e a obra, segundo a publicação, seguia sem paredes e sem data de entrega em outubro de 2025.

Em 6 de outubro de 2026, a 1ª Câmara do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) decidiu, por unanimidade, abrir Tomada de Contas Especial para apurar possível superfaturamento de R$ 11.928.017,06. A área técnica do Tribunal concluiu que a evolução física da obra era "frontalmente incompatível" com as medições e os pagamentos. Erick Mattheus é um dos citados na representação, ao lado do então presidente da FMS, Ítalo Costa Sales, do responsável técnico, Jivago de Castro Ramalho, e da empresa. Nenhum deles foi responsabilizado até agora.

A apuração começa no âmbito do município, com prazo de 180 dias. Se o relatório final não chegar ao Tribunal nesse período, o TCE-PI assume o caso. O gerente de Engenharia da FMS coordena hoje as medições e fiscalizações de contratos da fundação, o que levanta dúvidas sobre a independência do processo.

A reportagem busca contato com a FMS e com o engenheiro. O espaço segue aberto.

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