
A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (18) para investigar novas suspeitas de desvios em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou pagamentos feitos pelo empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a uma amiga de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o que informa matéria d'O Estado de S. Paulo.
Segundo a investigação, os valores foram destinados à empresa de Roberta Luchsinger, herdeira de um banqueiro e pessoa próxima ao PT. De acordo com a Polícia Federal, uma consultoria ligada ao Careca do INSS transferiu R$ 1,5 milhão à empresa de Roberta, em cinco repasses sucessivos de R$ 300 mil.
Em mensagens apreendidas pelos investigadores, Antônio Camilo pede a um funcionário que efetue um pagamento de R$ 300 mil e afirma que o destinatário final dos valores seria “o filho do rapaz”. O relatório da PF não identifica quem seria a pessoa mencionada.
Roberta Luchsinger foi alvo de mandado de busca e apreensão e passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial na operação desta quinta-feira. As defesas dos citados ainda não se manifestaram.
A investigação também identificou diálogos entre o Careca do INSS e Roberta nos quais há referências a “Fábio” e a “nosso amigo”. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou as medidas, não cita Fábio Luís nominalmente, mas transcreve trechos das mensagens.
Em uma conversa registrada em 29 de abril de 2025, Roberta afirma: “E só para vc saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. Na sequência, Antônio Camilo responde: “PUTZ”. Em outra mensagem, Roberta orienta: “E Antônio, some com esses telefones. Joga fora”.
Dias depois, em 5 de maio de 2025, Roberta envia um áudio tentando tranquilizar o empresário. Segundo o relatório da PF, ela diz: “na época do Fábio falaram de Friboi, de um monte de coisa o maior… igual agora com você”.
A Polícia Federal também colheu o depoimento de uma testemunha que afirmou ter ouvido dizer que o Careca do INSS pagava uma espécie de mesada conjunta de R$ 300 mil a Fábio Luís e a Roberta Luchsinger. O depoente afirmou não possuir provas diretas dos pagamentos, mas indicou possíveis caminhos para que a PF buscasse elementos de corroboração. O conteúdo do depoimento foi revelado primeiramnte pelo portal Poder360 e confirmado pelo Estadão.
A testemunha é o empresário Edson Claro, ex-sócio do Careca do INSS em uma empresa do setor de cannabis medicinal. Ele rompeu com o antigo parceiro e atualmente trava uma disputa judicial relacionada ao patrimônio da empresa. Antônio Camilo acusa Claro de ter furtado veículos de sua propriedade, caso que segue sob apuração da Polícia Civil de São Paulo.