
Três semanas depois de o PL eleger a maior bancada da Câmara em mais de 30 anos, lideranças do Centrão articulam aprovar ainda em novembro a troca do sistema eleitoral pelo voto distrital misto. A frente é liderada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que anunciou a PEC em 28 de outubro e quer votá-la "ainda este ano". Segundo a CNN Brasil, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ajuda a acelerar as conversas.
Em 4 de outubro, o PL elegeu 121 deputados, contra 97 em 2022. A federação PT-PCdoB-PV passou de 82 para 88 cadeiras. Partidos do centrão como o União Brasil e PP, que somavam 105, caíram para 87, e o MDB foi de 41 para 36.
Pela proposta em negociação, metade dos deputados sairia em 2030 de listas montadas pelos partidos, e o modelo distrital misto valeria integralmente a partir de 2034. No formato, o eleitor vota duas vezes, em um candidato do distrito e em uma lista partidária. Como a ordem da lista é definida pelas direções das siglas, cai o peso da votação individual e acaba o efeito dos puxadores de votos. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, do PL, passaram de 3 milhões de votos cada.
O calendário é central. Quem vota é a Câmara atual, já que a nova legislatura só toma posse em 1º de fevereiro de 2027, e 212 dos 513 deputados de hoje não estarão nela. Dirigentes ouvidos pela CNN avaliam que a mudança precisa passar antes, porque o novo Congresso terá mais parlamentares beneficiados pelo sistema atual.
Para alterar a Constituição, são necessários 308 votos na Câmara, em dois turnos, e 49 no Senado. O líder do PL na Câmara disse que o partido é contra. Lideranças do Centrão minimizam o peso de eventuais votos contrários da legenda, que também enfrenta resistência de parlamentares do PT.