Sexta, 17 de Abril de 2026
18°C 25°C
Brasília, DF

PF aponta ao STF indícios de crime envolvendo Toffoli no caso Master

Reportagem  afirma que relatório enviado a Fachin vai além das notas divulgadas pelo gabinete do ministro

José Ribas Netto
Por: José Ribas Netto Fonte: Manchete Nacional
12/02/2026 às 14h51
PF aponta ao STF indícios de crime envolvendo Toffoli no caso Master
Ministro Dias Toffoli, responsável pelo caso do Banco Master

 

 

Uma reportagem assinada pelo jornalista Breno Pires, publicada na revista Piauí, revela que a Polícia Federal encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, um relatório com indícios de possíveis crimes atribuídos ao ministro Dias Toffoli no contexto das investigações sobre o banco Master.

Segundo a reportagem, o documento entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, é mais grave do que sugerem as notas públicas divulgadas pelo gabinete de Toffoli. Diferentemente do que afirmou o ministro, a Polícia Federal não teria pedido sua “suspeição” no caso. O encaminhamento teria ocorrido com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, dispositivo que determina a remessa de autos ao tribunal quando surgem indícios de prática de crime por magistrado durante processo sob sua relatoria.

A distinção é relevante. A “suspeição” está relacionada à imparcialidade do julgador. Já o artigo 33 trata da eventual existência de ilícito penal, hipótese que exige comunicação institucional específica.

 

Relações com o caso Master

A investigação gira em torno do banco Master, alvo de apuração sobre fraudes bilionárias. Conforme a piauí, o relatório da PF inclui mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, apontado como dono do banco. Investigadores teriam identificado elementos que ultrapassam o já noticiado pagamento à empresa Maridt Participações S.A., ligada à família de Toffoli, referente à venda de cotas do resort Tayayá ao fundo Arleen, controlado pela gestora Reag — citada nas investigações da chamada Operação Carbono Oculto.

A reportagem afirma ainda que Toffoli recebeu valores decorrentes da venda dessas cotas, fato confirmado pelo próprio ministro em nota. Ele negou, contudo, qualquer relação de amizade com Vorcaro e afirmou que todas as operações estão devidamente declaradas à Receita Federal.

De acordo com a piauí, a Polícia Federal elaborou uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ) focada exclusivamente em Toffoli. Trata-se de um documento que consolida achados investigativos e pode subsidiar desdobramentos, mas não equivale a relatório final nem a pedido de medidas cautelares.

 

Tramitação no STF e papel da PGR

Até o momento, o presidente do STF não teria enviado o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão com atribuição para avaliar eventual responsabilidade criminal de ministro da Corte. Segundo a reportagem, a PGR precisou solicitar acesso ao documento.

Especialistas ouvidos apontam que, se o encaminhamento realmente se baseou no artigo 33, o rito adequado exigiria remessa formal à PGR, já que a competência para análise de crime é do Ministério Público, e não da presidência do tribunal.

Enquanto isso, Toffoli tem sido a única voz oficial do STF a se manifestar publicamente sobre o caso, divulgando notas nas quais sustenta desconhecer irregularidades e nega vínculo com os investigados.

O conteúdo integral do relatório permanece sob sigilo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias