
A polêmica gerada a partir de uma informação posteriormente desmentida pela assessoria de Ciro Nogueira da Folha de S. Paulo acabou produzindo um efeito colateral relevante no cenário político do Piauí, o fortalecimento do governador Rafael Fonteles em duas agendas sensíveis, a primeira é a tributação da energia solar e a segunda foi o recuo silencioso do projeto de hidrogênio verde.
Enquanto o debate público se concentrou no dia de hoje na controvérsia política nacional de uma reunião que não aconteceu do senador Ciro Nogueira (PP) com o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e que avançaram por portais do Piauí, ficou de lado e praticamente fora do radar decisões com impacto econômico direto no estado.
No Supremo Tribunal Federal, o Supremo Tribunal Federal suspendeu decisão do Tribunal de Justiça do Piauí que havia barrado a cobrança de ICMS sobre a energia elétrica gerada por consumidores e injetada na rede. A contracautela atendeu a pedido do governo estadual, que alegou risco de perda expressiva de arrecadação.
A medida, impopular junto a parte dos consumidores e do setor de energia solar, l gerou desgaste e impacto na imagem do governo em ano eleitoral, devido ao aumento potencial na conta de luz e na segurança jurídica do segmento. Para observadores políticos, o momento foi decisivo e o tema avançou com grande reação social e da oposição política.
Situação semelhante ocorreu com o projeto de hidrogênio verde no litoral do Piauí. Anunciado como símbolo da transição energética e da modernização econômica do estado, o empreendimento caminha para um desfecho discreto após a empresa responsável comunicar à Justiça Federal o cancelamento da licença ambiental e pedir a extinção da ação civil pública.
O assunto, gerou cobranças públicas e desgaste político, mas passou quase despercebido da grande mídia local, mas tomou proporções nas redes sociais.
Na prática, o governo Rafael Fonteles (PT) saiu preservado. As duas celeumas — ICMS da energia solar e hidrogênio verde — envolvem riscos políticos claros: aumento de custos para consumidores, frustração de expectativas e questionamentos sobre planejamento estratégico.
E o governador atravessou o período sendo o foco central das críticas.
Mas agora com a pauta nacional ocupando espaço e reduzindo o escrutínio local, o Palácio de Karnak ganhou tempo, fôlego e margem para reorganizar sua narrativa sobre política energética e fiscal.
Outro que chamou atenção nos bastidores foi a rápida disseminação da notícia no Piauí por perfis e interlocutores ligados ao deputado Júlio César (PSD). O conteúdo passou a circular com força justamente em um momento em que o parlamentar se movimenta como pré-candidato ao Senado, ampliando o alcance local de uma informação que depois se mostrou inconsistente. A coincidência reforça a leitura de que a repercussão regional não foi espontânea e acabou contribuindo para deslocar o debate público de temas sensíveis, em especial fortalecendo adversários de Ciro no pleito de 2026.
No balanço final, a crise que parecia alheia ao governo estadual acabou funcionando como amortecedor político, onde pelo menos momentaneamente Rafael Fonteles emerge do episódio mais fortalecido do que entrou.