
O então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski adquiriu, em 2024, um imóvel de alto padrão no valor de R$ 9,4 milhões que pertencia ao empresário Alan de Souza Yang, de 37 anos, conhecido como “China”, investigado há anos pela Polícia Federal por suspeitas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O nome de China também aparece entre os alvos da Operação Carbono Oculto, que apura desvios bilionários no setor de combustíveis.
A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e envolve um imóvel localizado em um condomínio fechado na zona sul de São Paulo, com 777 metros quadrados de área construída.
O imóvel foi comprado inicialmente em 2019, em leilão, pelo pai de China e, que também é alvo de investigações da PF, pelo valor de R$ 4,9 milhões. Em dezembro de 2023, a residência foi vendida à nora, Anajá de Oliveira Santos Yang, esposa do empresário, por R$ 4 milhões.
A transação foi registrada em cartório em fevereiro de 2024. Um mês depois, em março, Lewandowski efetivou a compra do imóvel por meio de uma empresa familiar mantida em sociedade com seus filhos, já durante sua gestão à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Posteriormente, a Justiça Federal determinou o bloqueio do imóvel em razão de desdobramentos das investigações contra China. Caso haja condenação, o bem pode ser levado a leilão judicial.
Documentos da Polícia Federal apontam que Anajá Yang é investigada sob suspeita de atuar como “laranja” do marido. Quebras de sigilo bancário e fiscal indicaram que, enquanto China declarava renda anual em torno de R$ 84 mil, valores milionários circulavam nas contas da esposa. Em apenas em um mês, mais de R$ 3 milhões teriam sido movimentados.
Ela aparece vinculada a mais de 30 empresas, enquanto China figura formalmente como sócio de apenas um posto de combustíveis.
Em 2025, Alan de Souza Yang voltou ao centro das investigações ao ser incluído na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema estimado em até R$ 52 bilhões em sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Segundo a PF, ele atuaria como operador financeiro de empresários apontados como líderes do esquema, com ligações com o Primeiro Comando da Capital.
As investigações também indicam conexões com fundos de investimento e empresas usadas na compra de usinas sucroalcooleiras.
Lewandowski afirmou que a compra foi realizada de boa-fé e que não tinha como saber das investigações, uma vez que os processos contra China tramitavam em segredo de Justiça. Ao site UOL, o ex-ministro declarou que conheceu os vendedores apenas no momento da negociação, após ser apresentado ao imóvel por um corretor.
Segundo ele, todas as certidões exigidas foram apresentadas e indicavam que o imóvel estava regular. Em nota, Lewandowski informou que busca a regularização do bem ou, alternativamente, a devolução do imóvel com ressarcimento do valor pago, já que a casa permanece bloqueada judicialmente.
Procurada, a defesa de Alan de Souza Yang e de seus familiares não se manifestou.