
Se o Senado aprovar a PEC da Segurança e o presidente Lula puder criar o Ministério da Segurança Pública, um nome tende a circular com força nos corredores de Brasília, e é o de Francisco Lucas Costa Veloso, o Chico Lucas. Aos poucos, o advogado piauiense passou de gestor estadual de segurança em um estado pequeno para ser a referência nacional, e seus defensores veem nele um dos perfis mais completos para a missão em âmbito federal de combate às facções.
A trajetória ajuda a explicar a aposta. Formado em Direito pela UFPI, Chico Lucas é procurador do Estado do Piauí desde 2009. Presidiu a OAB do Piauí e a Associação Piauiense dos Procuradores do Estado, o que lhe deu trânsito entre a advocacia, o Judiciário e o serviço público. Comandou a Secretaria de Segurança Pública do Piauí de janeiro de 2023 a janeiro de 2026, no governo de Rafael Fonteles (PT), e desde fevereiro chefia a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Os números do período no Piauí são o principal argumento de seus aliados. Segundo o currículo divulgado pelo Ministério da Justiça, o estado registrou 573 mortes violentas intencionais em 2025, o menor número em dez anos e uma queda de 31% em relação a 2022. Os homicídios caíram 30%, de 756 para 526 casos, e em Teresina a redução chegou a 41,5%. Em balanço divulgado em março, o governo estadual informou que os homicídios caíram mais de 70% no litoral, mais de 40% na capital e mais de 38% no estado, com queda de 67% nos feminicídios.
O desempenho já aparecia antes. Em 2024, os homicídios dolosos haviam recuado 11,71% em relação ao ano anterior. No Mapa da Segurança Pública, o Piauí teve redução de 10,02% nos homicídios dolosos, acima da média nacional, de 6,33%. O governador também atribui à gestão uma queda superior a 50% nos roubos de celulares. No Carnaval deste ano, o estado não registrou homicídios nas áreas oficiais de festa, nem feminicídios ou latrocínios durante a operação.
A receita, segundo ele, combina integração entre as forças policiais, inteligência e cooperação com a União. O mesmo discurso orienta sua atuação em Brasília. No primeiro trimestre de 2026, o país registrou 7.289 homicídios dolosos, o menor número para o período em dez anos, e Chico Lucas apontou o aumento de investimentos como um dos fatores do resultado.
Esse conjunto explica o apoio que recebeu dos pares. O Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública chegou a defender seu nome para ministro, como parte do movimento pela divisão da pasta da Justiça. Quando Lula optou por manter o ministério unificado, o nome dele passou a ser a opção para a Secretaria Nacional.
Agora, com a PEC pautada no Senado, a possibilidade volta ao debate. Seus apoiadores lembram que ele conhece o dia a dia das polícias estaduais, tem boa relação com os governadores e já coordena ações com o Ministério da Justiça. A disputa, porém, não está decidida. O promotor Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, também é cotado para a vaga.