
O presidente Lula (PT) iniciou nesta quinta-feira, 5, uma série de conversas com economistas e empresários para debater os rumos da política fiscal. O primeiro encontro reúne nomes próximos ao presidente, como Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Aloizio Mercadante, Guido Mantega, Luciano Coutinho, Bruno Moretti e Esther Dweck. Também participam os economistas Laura Carvalho, Eduardo Moreira e Guilherme Mello, todos alinhados à esquerda.
Cotado para assumir a Fazenda no quarto mandato, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), não foi chamado.
Nos bastidores, a ausência é atribuída a um desgaste. Um interlocutor do PT do eixo Rio-São Paulo afirmou que Lula ficou irritado quando Rafael deu entrevista e disse que queria carta branca para comandar a Fazenda. Segundo ele, já havia uma tendência natural de resistência ao nome do piauiense, porque o cargo é importante demais e deveria ficar com alguém do eixo, ou ser loteado pelo PT da Bahia, estado que deu a maior fatia dos votos a Lula neste segundo turno. Em tom de piada, o interlocutor disse que, se Rafael for ministro, "no máximo será o ministro da Eucaristia".
Nas próximas semanas, o presidente também vai ouvir economistas ortodoxos e heterodoxos. A ideia de ampliar a escuta partiu do ministro da Fazenda, Dario Durigan. "É mais um esforço da gente dividir o cenário, os diagnósticos", disse a jornalistas.
O governo sofre pressão por um plano de ajuste fiscal que contenha o avanço da dívida pública, em meio à alta do dólar e à queda da Bolsa desde o segundo turno. Na semana passada, o Ibovespa caiu 18%, a maior queda desde 2020, e o dólar subiu 9,18%. Na quarta-feira, 4, o Banco Central interrompeu os cortes e manteve a Selic em 13,75% ao ano. Empresários, banqueiros e o setor da construção também buscaram o governo e devem ser recebidos nas próximas semanas.