
Na matemática, como deve ter aprendido o governador Rafael Fonteles, é essencial observar os padrões. Quando se trata de dinheiro público, a repetição de padrões sempre acende um sinal de alerta.
Esse é exatamente o caso da Construtora Solução LTDA, pertencente ao empresário Felipe de Santana Machado, um dos melhores amigos do governador Rafael Fonteles.
Fundada em 2016, a Solução possui atualmente um capital social de R$ 20 milhões, valor que não parece tão impressionante ao observarmos sua sede: uma modesta sala em um prédio simples no bairro Horto, em Teresina.

De acordo com o Mural de Preços do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), a empresa mantém mais de 150 contratos com o Governo do Estado do Piauí. Esses contratos começaram a ser firmados em 2020, com algumas secretarias chamando atenção pela quantidade de acordos específicos realizados com a construtora.

SEINFRA
Uma das secretarias que mais se destaca é a Secretaria de Estado de Infraestrutura (SEINFRA), secretariada por Flávio Nogueira Júnior, onde a construtora possui 19 contratos. Destes, apenas um foi firmado em 2021; todos os demais foram assinados entre 2023 e 2024. Eis o primeiro sinal de alerta.
Somando o valor total desses contratos, a Solução faturou R$ 197.426.296,10, é preciso repetir por extenso para que se perceba a dimensão do valor, cento e noventa e sete milhões, quatrocentos e vinte e seis mil, duzentos e noventa e seis reais e dez centavos. Acende-se o segundo sinal vermelho.
Mas o que mais chama atenção aos olhares atentos é que a Construtora Solução frequentemente alcança a 3ª colocação nas licitações realizadas pela SEINFRA, sempre com propostas de valores superiores às das duas primeiras colocadas.
Curiosamente, em todas as licitações analisadas, as duas primeiras colocadas acabam sendo desclassificadas.
Aqui todos os sinais estão vermelhos.

É uma coincidência notável que a Construtora Solução, repetidamente, alcance o terceiro lugar nas licitações e, ainda assim, se torne a vencedora. É igualmente intrigante que as empresas desclassificadas, mesmo estando nas primeiras posições, não recorram das decisões de desclassificação, embora todo licitante tenha o direito de recorrer.

Como uma construtora consegue conquistar a maior parte dos contratos de obras do estado? Como uma empresa que está sempre em terceiro lugar consegue vencer? E como é possível que as empresas desclassificadas aceitem a decisão sem questionar ou tomar as medidas cabíveis?

Nem mesmo o melhor matemático conseguiria justificar esse cálculo.