
A Polícia Federal investiga a possível participação indireta do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, em um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O núcleo da apuração envolve suspeitas de descontos indevidos aplicados em contracheques de aposentados e pensionistas em todo o país.
Segundo informações reunidas na nova fase da Operação Sem Desconto, os investigadores apuram se o parlamentar atuaria como sócio oculto de Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador financeiro do esquema. Um dos principais indícios é uma planilha apreendida com o contador Alexandre Caetano, preso nesta quinta-feira (18), que reuniria empresas sob o título “Grupo Senador Weverton”.
O material, conforme fontes ligadas à investigação, é considerado estratégico para o mapeamento da estrutura empresarial e financeira usada para movimentação e possível ocultação dos recursos desviados.
Nesta etapa da operação, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão do senador, mas o pedido foi negado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanhou o entendimento da Procuradoria-Geral da República. O magistrado autorizou apenas o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar.
Em nota, Weverton afirmou ter recebido “com surpresa” a diligência em sua residência e disse estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Questionada, a assessoria do senador negou qualquer vínculo societário com Antonio Camilo Antunes.
A planilha apreendida também menciona duas associações — a União Nacional de Auxílio aos Servidores Públicos (Unaspub) e a Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação (Abapen) — além de ao menos onze empresas, muitas estruturadas como sociedades de propósito específico (SPE), com atuação nos setores de incorporação, construção e serviços empresariais.
A nova fase da Operação Sem Desconto cumpriu 16 mandados de prisão e 52 de busca e apreensão. Entre os presos estão Adroaldo Portal, número dois do Ministério da Previdência Social e ex-chefe de gabinete de Weverton, além de familiares e operadores ligados ao núcleo investigado.
A Polícia Federal também apura indícios de ocultação e dilapidação patrimonial. Levantamentos preliminares indicam que empresas relacionadas ao grupo teriam realizado saques em espécie que somam cerca de 200 milhões de reais.