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Canal de comentarista que afirmou que Michelle Bolsonaro era “prostituta” recebeu verba do governo do PT

Loop Entretenimentos, responsável por podcasts pagos com recursos públicos estaduais, recebeu R$ 670 mil por dispensa de licitação e abriga programa onde comentarista acusou, sem provas, Michelle Bolsonaro de ter sido prostituta

José Ribas Netto
Por: José Ribas Netto Fonte: Manchete Nacional
18/06/2025 às 19h47 Atualizada em 01/07/2025 às 22h36
Canal de comentarista que afirmou que Michelle Bolsonaro era “prostituta” recebeu verba do governo do PT
Em 2024, a Loop Entretenimentos Ltda., empresa que tem como sócia Francisca Rilmara Torquato Vasconcelos e o jornalista Francisco Ieldyson de Paiva Vasconcelos, como Sócio-Administrador, e que foi contemplada com mais de R$ 670 mil em contratos pagos pelo Governo do Estado do Piauí, comandado por Rafael Fonteles (PT), para produção de conteúdo classificado como publicidade institucional. Os dados constam em documentos públicos e comprovantes de empenhos registrados no sistema estadual.
 
 
O montante foi destinado à gravação de podcasts com secretários e gestores estaduais, dentro do programa ielcast, veiculado nas plataformas digitais da produtora, com episódios abordando ações do governo como a “Campanha da Dengue”, “Escola de Governo”, “eSocial”, “100 dias de gestão”, “Hidrogênio Verde” e outros.
 
 
 
Valor recebido do Governo do PT para Podcasts
 
 
O que os episódios não deixam claro é que essas gravações foram financiadas com recursos públicos, sem qualquer menção à sua natureza de publicidade oficial. Os vídeos e áudios são veiculados como se fossem entrevistas espontâneas, informativas, jornalísticas.

 

R$ 670 mil por “entrevistas” com secretários

As despesas pagas à Loop Entretenimentos foram todas realizadas via dispensa de licitação, com valores variando de R$ 38 mil a R$ 80 mil por podcast, conforme constam nos documentos públicos e imagens obtidas pela reportagem. Todos os pagamentos são oriundos da Fonte 500, isto é, recursos não vinculados de impostos, ou seja, são valores do caixa geral do Estado, alimentado por tributos dos cidadãos.
 
 
Os contratos têm como origem a Coordenadoria de Comunicação Social da Governadoria do Estado, e todos possuem como objeto formal “Publicidade Institucional”. Contudo, os conteúdos não possuem nenhum selo, aviso, nota de rodapé ou narração inicial que identifique que se trata de conteúdo patrocinado pelo governo.
 
Valores repassados para empresa Loop por meio da Coordenadoria de Comunicação
 
 
Com isso o telespectador que assiste a um episódio do Ielcast acreditando que está consumindo informação neutra ou jornalismo independente, quando, na verdade, trata-se de uma peça de comunicação institucional financiada com dinheiro do contribuinte.
 

Desvio de finalidade ou uso abusivo da publicidade oficial?

 
A prática fere diretamente os princípios que regem a publicidade pública no Brasil, entre eles a transparência, a finalidade educativa/informativa e a proibição de promoção pessoal ou partidária, conforme determina o art. 37 da Constituição Federal.
 
 
O fato de não haver identificação dos conteúdos como publicidade pode caracterizar violação do dever de transparência administrativa, desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor (publicidade não identificada é considerada enganosa) e infringência às normas da Lei de Acesso à Informação e à moralidade administrativa.
 
 
Apesar disso, não há até o momento qualquer medida por parte do governo estadual ou de órgãos de controle para fiscalizar ou cobrar esclarecimentos sobre esses contratos. As imagens dos empenhos e notas fiscais já circulam entre parlamentares da oposição e devem embasar futuras representações junto ao Ministério Público de Contas e à Controladoria-Geral do Estado.
 

Episódio polêmico envolvendo Michelle Bolsonaro agrava o caso

 
O escândalo ganhou nova dimensão no dia 11 de junho de 2025, quando a comentarista Theonia Pereira, durante transmissão veiculada pela IelTV — canal vinculado à Loop Entretenimentos — afirmou, sem qualquer prova, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teria sido prostituta antes de iniciar relacionamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
 
 
A fala causou indignação e gerou denúncias de injúria qualificada por preconceito de gênero, um crime previsto no Código Penal Brasileiro. Até a publicação desta reportagem, não houve retratação oficial da comentarista, nem do canal.
 
 
Mais grave ainda é o fato de que a mesma estrutura que abriga esse tipo de comentário ofensivo e calunioso é a beneficiária direta de contratos com o governo estadual, sustentados com verbas da comunicação institucional.
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